A História de Luís Abreu na Conquista dos Mares Madeirenses

O início da empresa Prazer do Mar

Com uma serenidade que talvez venha da idade, mas com um brilho aventureiro no olhar, Luís Abreu partilha as suas vivências de juventude que, sem dúvida, “fundearam” os alicerces e valores da VMT Madeira presentes nos dias de hoje.  A história, essa, começa nos tempos do jovem Luigi que, de olhos postos no horizonte e alma trabalhadora, rumou para a Africa do Sul, a convite da Anglo American Corporation, após os seus extraordinários testes de aptidão. Assim começa a sua formação de 5 anos em Engenharia Mecânica rumo à concretização dos seus sonhos.

Muitos cálculos para projetos inimagináveis deram-lhe a experiência necessária para, após o estágio, ficar a trabalhar na mina de ouro considerada a mais profunda do mundo (mais de 4 mil metros de profundidade), onde trabalhavam cerca de 30.000 pessoas: “um dos projetos que tive que fazer foi um elevador com 4 andares para levar 160 passageiros”, recorda Luís. Mas das minas ao negócio das gasolineiras (com o cunhado), passando pela instabilidade do país, todos os ventos sopravam a favor do regresso de Luís à ilha, com a família, o que acabou por acontecer, em 1998.

Atento ao negócio, amante da natureza e da tradição, Luís começou a construir o seu futuro no mar, em 2002, quando decidiu restaurar um barco de duas proas destinado à pesca da espada, com um amigo. Este barco era “uma relíquia tradicional” que ia ser abatido, por isso, foi reconstruído e preservado para viagens marítimo-turísticas: “fizemos toda a parte mecânica e dos motores”. No entanto, Luís confessou-nos que certo dia encontrou “uma revista muito bonita sobre catamarãs – a Fountaine Pajot“e foi aí que encontrou o seu Norte. Sem demoras e pouco conhecimento foi a estaleiros e fábricas de catamarãs em La Rouchelle, França, onde encomendou o primeiro catamarã – o Sea Pleasure, da empresa Prazer do Mar, Actividades Marítimo-Turísticas, que estabeleceu o início da nossa actividade.

Por mares nunca dantes navegados, Luís rumou para conseguir içar vela no princípio da época (em 2004), tornando-se no homem dos sete ofícios: “aprendi a conduzir o barco, servia ao bar, dava explicações, recebia chamadas para as reservas e, nos dias em que terminava mais cedo ia aos hotéis distribuir panfletos”.  Confessa que foram 10 anos sem tirar férias e muito poucas folgas, dele e da sua esposa, Colleen.

Colleen sempre trabalhou a par de Luís, mas na parte administrativa: “a nossa história é a nossa vida juntos, no trabalho e em casa”. Por isso, 34 anos de casados e 4 filhos depois manteve-os sempre a navegaram pelas mesmas águas: “mesmo antes de casar já trabalhávamos juntos”, mencionou Colleen!

De facto, talvez fosse por ambos remarem na mesma direção que os seus filhos decidiram seguir este farol, esta  paixão pelo mar: Rafael como skipper nos Mega Iates no Mediterrânio; Nicolau acompanhou o pai nos catamarãs da Madeira; Gabriela é oficial da Marinha Mercante; e André, que ainda é estudante universitário, vê-se igualmente ligado ao mar no futuro.

Um negócio de sucesso tem que crescer, evoluir, inovar, por isso, Luigi teve a iniciativa de começar a parceria com a Carristur Sightseeing Bus para transferes gratuitos dos clientes do hotel para a Marina. Também se apercebeu que seria uma mais-valia abrir viagens para assistir ao Festival Pirotécnico (Festival do Atlântico) na Baía do Funchal. E desde o primeiro ano, o fogo de artificio de Fim do Ano sempre foi uma aposta ganha.

Com tanta coisa em mente foi necessário assegurar uma equipa de confiança. E manter aqueles que sempre trabalharam com ele motivados: “numa boa equipa não se mexe” dizia Luís a Carlos Silva (Ler Artigo: Capitão Carlos o Protetor dos Oceanos) um dos primeiro colaboradores da VMT Madeira, junto com Ana Sofia Mendonça. Acima de tudo, Luís Abreu sempre teve o dom de ver para mais além – foi o caso da colaboradora Sofia Freitas que ajudava a mãe a organizar passeios de catamarã quando tinha apenas 6/8 anos: “nunca me esqueço do Sr. Luís passar a mão na minha cabeça e dizer – quando fosse grande, iria trabalhar ali. E não é que após todos estes anos, faço parte desta família?”, partilha Sofia.

Um agradecimento profundo a Luís Abreu que continua a “permanecer com a mesma intensa paixão pelo mar e pelos nossos serviços” (Sofia Freitas).